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Os caminhos inovadores da Krah

Para a Krah Indústria e Comércio de Componentes Eletrônicos, sediada em Timbó (SC), o despertar para o tema da inovação teve início durante a participação no Inova Day, evento promovido pelo Sindipeças em agosto de 2018, realizado em São Paulo (SP). Esse evento, que incluiu palestras e rodadas de conversa com startups, marcou o momento em que a empresa iniciou a reavaliação de sua abordagem diante das demandas emergentes do mercado. "A dinâmica nos estava compelindo a adotar uma perspectiva inovadora", complementa Ralph Felsmann, diretor-geral da Krah. Em entrevista ao Rumos da Inovação, Felsmann e Iuri Brandt, gerente de Desenvolvimento, Pesquisa e Inovação, compartilharam interessantes informações.

Qual é a trajetória da empresa no campo da inovação?
Felsmann: Como subsidiária de uma multinacional familiar alemã, costumávamos depender dos desenvolvimentos da matriz. No entanto, percebemos que o cenário de mercado estava passando por transformações significativas, exigindo não apenas a otimização de produtos e processos existentes, mas também a exploração de novos horizontes. Na Europa, por exemplo, o mercado de veículos elétricos ganhou impulso, enquanto aqui isso ainda não é uma realidade tão marcante. Além da eletrificação, observamos sofisticação crescente nos automóveis.

Um exemplo concreto dessa mudança são os resistores para regulagem da velocidade dos sistemas de
ar-condicionado. À medida que os veículos evoluem, a climatização eletrônica substitui os resistores por reguladores eletrônicos de velocidade (PWM), igualmente fabricados pelo Grupo Krah. Apesar disso, o volume local e os investimentos necessários não justificariam sua produção no Brasil. Esses desafios evidenciaram a necessidade de trilharmos nosso próprio caminho, decisão prontamente compreendida e apoiada pela matriz
.

A semente dessa mudança foi plantada durante o Inova Day de 2018, que serviu como ponto de partida para a criação, em 2019, de uma área dedicada à inovação. Para liderar essa iniciativa, recrutamos Iuri Brandt, profissional com vasta experiência na área. No mesmo ano, estabelecemos uma pequena empresa, espécie de startup dentro da Krah, focada no desenvolvimento de soluções indutivas e magnéticas. Esse foi o marco inicial de nossa jornada em busca de nova dinâmica de inovação, aceleração de melhorias na produção e criação de outros negócios.

Brandt: A área de inovação em nossa empresa desempenha papel crucial, tanto no desenvolvimento de produtos quanto no de processos. Na equipe de produtos, contamos com três engenheiros, um estagiário e um bolsista do IEL (do programa Inova Talentos, vide informações abaixo). Essa equipe está focada em criar e aprimorar nossos produtos, trabalhando incansavelmente para desenvolver soluções inovadoras que atendam às necessidades de nossos clientes. O time de processos é composto por quatro engenheiros. Além disso, estamos planejando adicionar mais dois bolsistas do IEL até o final do ano. Essa equipe é fundamental para otimizar nossos processos, garantindo eficiência e qualidade em todas as etapas. A colaboração entre essas duas áreas é essencial. Ela permite que novos produtos sejam desenvolvidos com eficiência e tecnologia de ponta. A sinergia entre produtos e processos impulsiona nossa capacidade de inovar e permanecer competitivos no mercado.

Que projetos foram desenvolvidos e estão em curso no âmbito do Rota 2030?
Felsmann: Estabelecemos uma afinidade sólida com o Sindipeças, parceria valiosa que tem nos orientado na exploração de todas as facetas do Rota 2030, um programa meritório que, felizmente, se mostrou eficaz. Mesmo diante de sua complexidade, Iuri dedicou-se a compreender minuciosamente o seu funcionamento e a articular o processo de solicitação de recursos. Como resultado desse empenho, obtivemos a aprovação do nosso primeiro projeto, o concorrido Senai Hands-On, em 2022. Essa iniciativa superou as expectativas, alcançando ganho de produtividade superior a 25%. O êxito foi tão notável que decidimos estender a colaboração do Senai, contratando a instituição para outro trabalho em nossa empresa.

Brandt: Após essa etapa, iniciamos novo projeto no campo da produção de hidrogênio a partir do etanol, em parceria com o grupo de pesquisa LAC da Universidade Federal de Santa Catarina, sob a coordenação do professor doutor engenheiro Rafael Catapan. Esse grupo de pesquisa já estava envolvido nesse tema, colaborando com empresas de renome, como BMW e AVL. Durante outra pesquisa, que não estava diretamente relacionada ao setor automotivo, identificamos o potencial de nossa empresa em sistemas de aquecimento. Não apenas fornecendo o componente resistivo, mas também desenvolvendo a solução eletrônica necessária para alimentar o resistor e gerenciar todo o sistema. Ao explorar possíveis aplicações, percebemos que uma delas era a reforma do etanol. Conversamos com o professor Catapan e nos engajamos no projeto. Estamos comprometidos com trinta meses de trabalho, a partir do próximo ano, com investimento de R$ 1,5 milhão, por meio da Linha V da Fundep.

Felsmann: No mês de setembro deste ano, celebramos a aprovação de dois projetos simultaneamente em um edital do Senai, integrando o programa Aliança Industrial em colaboração com startups. Dentre esses projetos, destaca-se o que recebeu aporte significativo de R$ 1,99 milhão, sem a necessidade de contrapartida, destinado à implementação de manutenção preditiva em um sistema de produção por meio da aplicação de inteligência artificial (IA). Com previsão de início ainda em 2023, esse projeto está programado para se estender ao longo de 24 meses.

Brandt: Tanto nesse projeto quando no da UFSC, as conversas previamente iniciadas e o esqueleto bem desenhado do projeto colocaram a Krah em boa posição quando foi publicada a chamada. Pudemos escrever a proposta de forma assertiva.

Felsmann: O segundo projeto de aliança com startups do Senai é de R$ 2 milhões, para produção contínua de indutores de alta frequência, utilizados em dispositivos de processamento de dados, com aplicação no setor automotivo e em outros.

Brandt: Nesse projeto, de alta complexidade, a inovação está no processo de produção, com implicações no produto. Há redução do custo de produção e possíveis ganhos de eficiência energética. Por exemplo, a mobilidade autônoma vai demandar o uso desse tipo de componente.

Felsmann: Vislumbramos a perspectiva de internacionalizar os indutores de alta frequência, uma inovação legítima que amalgama a profunda perícia acumulada ao longo de décadas pela Krah, com aplicação inédita, incorporando um processo fabril suplementar de maneira verdadeiramente revolucionária.

Entre os nossos quatro projetos, tanto o Hands-On quanto o focado na aplicação de inteligência artificial na manutenção preditiva visam a aprimorar a produtividade, resultando em melhorias significativas nas margens. Os outros dois têm como objetivo o desenvolvimento de produtos − resistores e indutores de alta frequência −, posicionando nossa empresa estrategicamente para enfrentar os desafios tecnológicos do futuro. É importante destacar que, na minha avaliação, o Rota 2030 representa a melhor iniciativa dos últimos anos para o progresso de nosso setor.

Qual a relevância do Sindipeças nesse processo?
Felsmann: No percurso da inovação, é crucial dispor de uma fonte de informação eficaz, que promova conexões entre empresas, institutos de tecnologia e startups. O Sindipeças desempenha essa função admiravelmente, estendendo-se até onde seus associados estão. A entidade chegou a realizar um Inova Day em Timbó, evidenciando seu comprometimento com a disseminação do conhecimento e a promoção de sinergias no cenário inovador.

PROGRAMAS UTILIZADOS PELA KRAH

O Senai Hands-On foi desenvolvido para fomentar a ampliação da produtividade da cadeia automotiva em pelo menos 20%, por meio de até seiscentas horas de consultoria gratuita em lean ou em lean e digitalização (mistas); e de pelo menos 10% em consultorias de digitalização. Veja detalhes.

A Aliança Industrial do Senai forma parcerias entre três ou mais indústrias da cadeia automotiva e empresas habilitadoras de novas tecnologias industriais, para projetos de pesquisa e desenvolvimento (P&D). Consulte informações.

A Linha V da Fundep – Biocombustíveis, Segurança Veicular e Propulsão Alternativa à Combustão – tem como objetivos gerais oferecer ao mercado opções de eletrificação veicular com alta eficiência energética. Conheça.

O Inova Talentos foi criado pelo Instituto Euvaldo Lodi (IEL), com o objetivo de incentivar a criação de projetos de inovação com a ajuda de profissionais capacitados, com vivência acadêmica capaz de acelerar o processo. Em parceria com o Sindipeças, o programa foi adaptado para o setor de autopeças. Saiba mais.


Participe – Para conhecer as oportunidades de investimento em inovação com recursos do Pilar III do Rota 2030, por meio dos editais das entidades gestoras (Embrapii, Senai, Finep e Fundep), envie mensagem para [email protected]. Há muitos recursos disponíveis.


Helena Cristina Coelho
Assessora de Comunicação
[email protected]

Dezembro de 2023