Alternativas para o mundo
O Brasil ocupa lugar de muito destaque nas opções para descarbonização da mobilidade. Como tem sido repetido em diversas apresentações, enquanto outros países têm uma ou outra carta, este País tem o baralho inteiro. No entanto, a abundância de recursos naturais não se tornará vantagem expressivamente comparativa se não houver ação conjunta entre desenvolvedores de tecnologia, indústria e governo. Este, na elaboração de políticas públicas que valorizem o que só há por aqui.
A diversidade de modelos de propulsão é mudança relevante. A indústria brasileira de autopeças está preparada para enfrentar os desafios que a eletrificação e a hibridização trarão. “Estamos fazendo o dever de casa e estaremos aptos a atender os rumos futuros do mercado automotivo”, afirma Gábor Deák, diretor de Tecnologia e Sustentabilidade da Abipeças e do Sindipeças. “Defendemos modelos que combinem várias rotas tecnológicas para a redução das emissões de carbono, com o uso de biocombustíveis e sistemas híbridos, nos quais a eletrificação é introduzida gradualmente, em linha com os recursos de infraestrutura, ainda bastante escassos.”
Representantes da Abipeças e do Sindipeças participam de diversos fóruns em que a descarbonização do meio ambiente é tecnicamente discutida, incluindo programas governamentais, como o Rota 2030 e seu sucessor, o Mover. Cabe às entidades difundir informações qualificadas para seus associados, criar conexões com outros elos da cadeia automotiva e apresentar a instância do governo dados que subsidiem a elaboração de políticas para a cadeia automotiva. Isso tem sido feito com a intensidade que o tema exige.
Risco real − No curto prazo, o que mais tem preocupado o setor de autopeças é a entrada no País, com alíquota reduzida e, a partir de julho, zerada, de veículos importados. Em recente nota oficial divulgada pela imprensa, Abipeças e Sindipeças afirmam que a decisão tomada em reunião do Comitê-Executivo de Gestão (Gecex), no dia 23 de junho, de aplicar cotas adicionais – no valor de US$ 463 milhões – para importação de veículos eletrificados CKD e SKD por seis meses, a partir do próximo 1.º de julho, pode criar graves distorções no mercado automotivo local. “Essa decisão ocorre no exato momento da aplicação de parte relevante da recomposição das alíquotas de importação desses veículos, o que, na prática, anula seu efeito até o limite das cotas, tornando-a falaciosa.” |