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Senai e universidades ajudam a resolver problemas
com uso de IA

A ampla divulgação e o suporte às empresas associadas no campo da inovação são ações muito relevantes do Sindipeças. Bom exemplo desse trabalho foi o apoio da entidade ao Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) na atração de fabricantes de autopeças para a décima edição do Workshop de Soluções Matemáticas para Problemas Industriais, com a utilização de inteligência artificial (IA), em parceria com o Centro de Estudos Matemáticos e o Centro de Ciências Matemáticas Aplicadas à Indústria (Cepid-CeMeai).

Durante cinco dias (denominados Innovation Week), em fevereiro, no campus da Universidade de São Paulo (USP) na cidade de São Carlos, empresas de vários setores, incluindo o de autopeças, apresentaram problemas específicos para doutores, mestres, mestrandos e doutorandos de universidades públicas, como desafios a solucionar com ferramentas da ciência de dados e da IA. “A importância dessa iniciativa é principalmente promover sinergia entre academia e indústria”, explica Alexandre Saito, coordenador de Tecnologia no Senai de São Caetano do Sul (SP).

A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) é a entidade de fomento à iniciativa, por meio do Centro de Pesquisa Aplicada em IA, do qual fazem parte USP, Unicamp, Unesp, Senai e o Adanced Institute for Artificial Intelligence (AI2), consórcio de pesquisadores em diversas frentes da IA. “A união do conhecimento científico com necessidades da indústria promove a inovação no contexto prático, de resultado, com benefícios para toda a cadeia produtiva e para a competitividade do País”, afirma Saito. Ele acrescenta que a participação do Sindipeças foi fundamental para atrair fabricantes do setor.

O que dizem as empresas
Os fabricantes de autopeças que participaram da Innovation Week apresentaram desafios a pesquisadores das universidades que, em apenas cinco dias, elaboraram propostas de solução, com uso de IA, ciência de dados e engenharia. Três deles contaram ao Rumos da Inovação sobre a experiência.

Rogério Nakamura, gerente de Inovação, Melhoria Contínua e Manufatura Enxuta da SEG Automotive para América Latina e do Norte: “A participação da área de Inovação do Sindipeças em eventos estratégicos como esse é espetacular. As empresas precisam da centralização de informações sobre digitalização e tecnologias inovadoras para que o setor consiga alavancar a competitividade, o que vale para empresas grandes e para pequenas e médias também. Os resultados que obtivemos nos cinco dias da Innovation Week superaram minhas expectativas.

Nossa ‘dor’ está na cadeia de suprimentos. As incertezas do mercado provocam instabilidade e alterações nos pedidos das montadoras. Como qualquer pequeno desvio de demanda aumenta o distúrbio ao longo da cadeia, com majoração dos custos para seus elos com estoques de segurança e antecipação de importação de componentes utilizados na produção, por exemplo. A solução apresentada, ainda em fase de desenvolvimento, entende o comportamento do mercado, avalia as variáveis do distúrbio e busca soluções por meio da modelagem. Além desse resultado direto, há outro que eu gostaria de destacar. As primeiras etapas do investimento em inovação são riscos para a empresa, pelo desconhecimento do resultado final, é o chamado ‘vale da morte’. Iniciativas como essa parceria entre empresas e universidade reduzem esse risco e nos permitem investir mais em inovação.”

Claudio Crivellaro, coordenador de Engenharia de Processos e Qualidade da Metalsa: “A relação entre indústria e academia é muito positiva. Os profissionais da empresa, mesmo quando formados em universidades, não têm tempo para se concentrar exclusivamente em pesquisas e estudos de novas ferramentas. A operação em si e a necessidade de controle de custos impedem essa dedicação. Focamos a resolução de problemas do dia a dia, porém, para problemas muito complexos, que exigem soluções diruptivas, precisamos de ajuda externa. Os pesquisadores, por outro lado, querem se dedicar à solução das ‘dores’ da indústria, o que gera conhecimento e temas para a publicação de estudos. Portanto, a ação é boa para os dois lados. Mesmo que o problema original não seja resolvido, a aprendizado sempre vem.

Sobre a Innovation Week, especificamente, devido ao pouco tempo de duração, precisamos ter cuidado para não criar expectativas inadequadas. Além disso, para que o tempo disponível seja aproveitado ao máximo, a empresa precisa ter precisão na definição do problema que pretende apresentar e ter todos os dados necessários à mão, para atender às solicitações dos pesquisadores. Usamos informações antigas, para preservar o acordo de confidencialidade com os clientes. O problema que apresentamos refere-se à necessidade de racionalização do estoque de fixadores. Os pesquisadores desenvolveram um núcleo básico para a solução matemática do sistema, que vamos rodar de forma paralela, para medir os resultados e comparar as formas de programar nosso sistema, sem riscos. Se houver retorno financeiro relevante, investiremos nas alterações necessárias."

Henrique Alves, responsável por Digitalização e Indústria 4.0, também da Metalsa, complementa a avaliação: “Foi uma experiência incrível para nós essa imersão na USP, observando como os pesquisadores trabalham. Eles querem ajudar as empresas e a sociedade. Se eu tiver a oportunidade de participar novamente de evento parecido, estarei lá. Uma dica que gostaria de dar é que, devido à complexidade do problema, entregamos muitos dados de uma vez, cuja análise consumiu tempo do projeto. Temos de apresentar a questão com objetividade e oferecer informações apenas conforme a demanda dos pesquisadores. No nosso caso, foram duas equipes, uma de predição e outra de otimização. Até julho, receberemos o paper final para iniciar nosso teste, como explicou Claudio, paralelamente a nosso sistema.”

Luciano Rodrigo Pinto, gerente de Projetos, Processos e Serviços da Sabó Indústria e Comércio de Autopeças: “Há mais de vinte anos usamos sistema de visão computacional para detectar peças com defeito em sistemas de vedação dinâmica em motores, transmissões e linha branca. Em nome da proteção extrema do que é entregue a nossos clientes, os parâmetros desse sistema são bastante fechados e rigorosos. Devido às tecnologias de visão computacional tradicionais existentes, há uma taxa de rejeição que pode, em alguns casos, chegar a 25%, dos quais mais de 22% são falsos rejeitos. Isso ocorre porque, ao fotografar e transformar as imagens de todos os produtos em pixels, qualquer microscópico grão de poeira, por exemplo, é considerado motivo para rejeição, mesmo sem ser. O desafio que apresentamos na Innovation Week é como ensinar nossa IA a identificar defeitos reais, sem nenhum impacto à qualidade do que entregamos ao cliente.

Levamos nosso laboratório para os especialistas da universidade – cerca de 90 mil imagens, base de dados, câmera, peças e máquina de inspeção – e aprendemos que há técnicas de utilização de IA para gerar defeitos corretamente, para treinamento da IA de inspeção. Testamos alguns modelos e chegamos a 99,98% de acerto do sistema. Não se trata de diminuir o rigor da inspeção, mas ensinar o sistema a reconhecer defeitos reais. Identifico dois ganhos com nossa participação: enxergar caminhos para a solução do problema e, o que chamo de efeito colateral positivo, conversar com pessoas com outra formação, abrir a mente e se dedicar integralmente à solução da questão nesse tempo determinado.”


Participe
– Para saber mais sobre o Inova Sindipeças, programa que tem mostrado caminhos interessantes para investimento em inovação, envie mensagem para [email protected].


Helena Cristina Coelho
Assessora de Comunicação


Maio de 2024